Baía de Guanabara pede socorro

  • Baía de Guanabara pede socorro

    Poucas pessoas estão conscientes de que a Baía de Guanabara, Rio de Janeiro (RJ), foi o elemento fundamental da posição desempenhada pela cidade do Rio de Janeiro no cenário brasileiro ao longo dos anos.

    Por ser ampla, bem abrigada e com o estreito espaço de 1.600 metros, seu interior é calmo, de boa profundidade e com grande espaço para ancoragem de navios. Além disso, sua posição permitiu que nela se desenvolvesse um dos mais importantes portos do Brasil, o Porto do Rio de Janeiro. Estas condições transformaram a cidade em um centro econômico importante do país desde o século XVII até os dias de hoje.

    Infelizmente durante o crescimento e desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro e de outras em seu entorno, como Niterói, Duque de Caxias e São Gonçalo, a Baía foi cada vez mais sendo deteriorada.

    Ao passar dos anos, ela sofre com o descaso do poder público e pela mão do homem, que aos poucos destrói esse patrimônio natural. Enquanto nada é feito para recuperá-la, a Baía de Guanabara agoniza um desastre ambiental que se tornou permanente.

    Até o décimo segundo ano em vigor, o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) já gastou o dobro do previsto e alcançou menos da metade dos resultados desejados. Enquanto isso, os 380 quilômetros quadrados da Baía sofrem. Com obras a passos lentos, 400 metais pesados, 1.7 milhões de toneladas de esgoto (o equivalente a um Maracanã lotado de resíduos) e 1.500 toneladas de lixo são lançados nas águas diariamente.

    Se essa situação perdurar, em 500 anos o espelho da água vai desaparecer. Os números revelam que o objetivo está longe: quando o projeto foi concebido, o plano tinha a pretensão de tratar, em seis anos, 50% do esgoto da Baía, com uma verba de R$ 2 bilhões. Mas já foram gastos R$ 4 bilhões em 12 anos e 25% do esgoto hoje é tratado de forma adequada.

    A Baía de Guanabara foi um recurso magnífico, degradado e abandonado pela cidade do Rio e principalmente pelas suas autoridades.

    A Laje do Forte, na Baía de Guanabara, foi desbravada por um grupo de surfistas de ondas grandes em abril de 2010, quando um mega swell de sudeste encostou no Rio, gerando uma ressaca histórica que foi publicada com exclusividade na matéria “Baía de Guanabara – Desbravamos a laje do Forte”, na edição #13 (maio/junho de 2010) da SURFAR (capa com foto de Bidu na chamada deste post).

    Por Tiago Garcia (Colunista da SURFAR).
    Fonte: revistasurfar.com.br

    Ficha técnica – O Esquecimento da Guanabara

    Direção, roteiro e fotografia Tiago Garcia
    Produção Daniela Gracindo
    Trilha Sonora Dans Souza
    Duração 12m23s
    Participação André Trigueiro, Leomil da Costa, Dra. Letícia Liu e Eng. Victor Coelho

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